domingo, 26 de dezembro de 2010

— Alô?— Alô.— Quem é?— Sou eu.— Eu?— Eu. Já não reconhece minha voz?— Ah, você (silêncio) São quase quatro da manhã. Por que está me ligando?— Saudade.— De mim?— Da sua voz. De você. De nós.— Eu tenho que desligar.— Não, por favor. Deixe-me te ouvir por pelo menos cinco minutos.— Por que está fazendo isso? Já se passaram quase sete meses (silêncio) Alô?— Estou gravando sua voz para quando tudo ficar em silêncio de novo, e eu precisar te ouvir para suportar a sua ausência… Não fique em silêncio, por favor.— Não tenho muito que dizer. Preciso dormir.— Então me escute.— Estou te escutando.— (…) Eu costumava te comparar a uma borboleta, se lembra?— Você dizia que eu era leve. Leve e harmoniosa.— E você era doce… Eu dizia que você era aquele tipo de borboleta que pousa em nosso ombro, e nos hipnotiza. Aquele tipo de borboleta que pousa em nossas mãos.— Você me tinha nas suas mãos.— Talvez eu ainda te tenha.— Acredito que não.— Talvez você seja mais parecida com uma borboleta do que eu jamais soube.— Por que diz isso agora?— Quando uma borboleta para em nossas mãos, temos que ser cuidados. Se apertá-la, sufocá-la, ela fica sem vida, desaparece. Se não segurá-la com delicadeza, ela voa e foge. De uma maneira ou de outra, ela nunca fica.— Você me deixou voar.— Eu apenas não quis te sufocar.— Não. Você apenas não quis se importar com aquilo que estava em suas mãos (silêncio) Não me ligue de novo, por favor.— Eu ainda amo você.— Então não me sufoque. É tarde demais para isso. 
Alô?
— Alô.
— Quem é?
— Sou eu.
— Eu?
— Eu. Já não reconhece minha voz?
— Ah, você (silêncio) São quase quatro da manhã. Por que está me ligando?
— Saudade.
— De mim?
— Da sua voz. De você. De nós.
— Eu tenho que desligar.
— Não, por favor. Deixe-me te ouvir por pelo menos cinco minutos.
— Por que está fazendo isso? Já se passaram quase sete meses (silêncio) Alô?
— Estou gravando sua voz para quando tudo ficar em silêncio de novo, e eu precisar te ouvir para suportar a sua ausência… Não fique em silêncio, por favor.
— Não tenho muito que dizer. Preciso dormir.
— Então me escute.
— Estou te escutando.
— (…) Eu costumava te comparar a uma borboleta, se lembra?
— Você dizia que eu era leve. Leve e harmoniosa.
— E você era doce… Eu dizia que você era aquele tipo de borboleta que pousa em nosso ombro, e nos hipnotiza. Aquele tipo de borboleta que pousa em nossas mãos.
— Você me tinha nas suas mãos.
— Talvez eu ainda te tenha.
— Acredito que não.
— Talvez você seja mais parecida com uma borboleta do que eu jamais soube.
— Por que diz isso agora?
— Quando uma borboleta para em nossas mãos, temos que ser cuidados. Se apertá-la, sufocá-la, ela fica sem vida, desaparece. Se não segurá-la com delicadeza, ela voa e foge. De uma maneira ou de outra, ela nunca fica.
— Você me deixou voar.
— Eu apenas não quis te sufocar.
— Não. Você apenas não quis se importar com aquilo que estava em suas mãos (silêncio) Não me ligue de novo, por favor.
— Eu ainda amo você.
— Então não me sufoque. É tarde demais para isso

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